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Insuficiência renal em cães e gatos

Insuficiência renal em cães e gatos

doença renal tem sido descrita como uma alteração constante entre os nossos pacientes aqui na Clínica Veterinária Mato Grosso. A predisposição dos felinos a tal alteração é maior que nos cães. É a principal causa de mortes para gatos acima de 5 anos e a 3ª maior causa para cães da mesma idade.

É uma condição na qual os animais apresentam rins com características anatômicas e ou funcionais anormais. Quando os rins são incapazes de exercer uma ou mais de suas funções.

Doença renal aguda

Na doença renal aguda (DRA) o animal sofre um tipo de injúria mais agressiva e de forma abrupta, temos como exemplos: intoxicações, como no caso da uva (especialmente as passas) que é capaz de causar falência renal num período de 48 horas em cães, e os lírios (Lilium sp)  capazes de fazer o mesmo em pacientes felinos. O animal desenvolve uma condição de debilidade renal extremamente aguda que pode vir a se perpetuar até o fim da vida fazendo com que o seja um doente renal crônico ou pode levar ao óbito devido a intensa agressão.

Doença renal crônica

A doença renal crônica (DRC) pouco mais freqüente em animais idosos decorre de agressões renais menos intensas, porém contínuas ao longo da vida. Um exemplo clássico de DRC é quando o paciente possui insuficiência cardíaca, os rins são bastante sensíveis às alterações de pressão do sangue, de modo que tanto a pressão muito alta quanto a muito baixa podem causar lesões significativas aos rins em médio prazo, e muitos dos fármacos utilizados para tratar e conter a insuficiência cardíaca lesionam os rins, dois fatores que causam injúrias discretas se forem pontuais, mas que se tornam importantes devido à cronicidade de intervalos cotidianos.

Causas da doença renal:

  • Congênita
  • Infecções sistêmicas por bactéria, fungos ou Vírus
  • Doenças sistêmicas
  • Neoplasias
  • Parasitas
  • Doenças periodontais
  • Obstrução do fluxo urinário
  • Agentes nefrotóxicos
  • Doenças imunológicas ou inflamatórias
  • Hábitos alimentares

Os rins estão sujeitos a agressões secundárias. Isto é, enfermidades de outros órgãos ou mesmo sistêmicas como infecções uterinas, doenças virais e infecciosas comumente cursam com doença renal aguda (DRA) por deposição de imunocomplexos (componentes da parede celular de bactérias gram negativas + imunoglobulinas). Muitas dessas doenças são evitadas quando nos previnimos através de medidas como a castração, vacinação controle de parasitas, alimentação saudável e check-up anual.

Sinais da Doença Renal Crônica:

  • Perda de peso
  • Depressão e apatia
  • Aumento da sede e do volume de urina
  • Diminuição do apetite
  • Diarréia
  • Vômito
  • Urina com sangue
  • Mau hálito

É muito importante conhecer os hábitos do seu animal, a quantidade de comida ingerida diariamente assim como a quantidade de água que ele bebe, a freqüência com que ele costuma fazer xixi e a quantidade. Pois qualquer uma dessas mudanças nas atividades normais do seu animal pode significar muito.

Geralmente, os sinais clínicos da doença só irão ficar visíveis quando 75% das funções renais já estiverem comprometidas. A manifestação clínica dos animais pode ser de maneira discreta ou acentuada, mas a DRC sempre será uma condição que diminuirá o tempo de vida do animal.

Não existe um sinal clínico especifico, e mesmo um grupo de sinais não é patognomônico de doença renal. Sendo assim um dos maiores desafios da doença renal é realizar o diagnóstico precoce.    

Diagnóstico da Doença renal

Por se tratar de uma doença crônica e progressiva, quanto mais cedo ela for detectada, maiores as chances de instituir tratamentos e métodos para conter a progressão da doença de forma eficaz. Dentre os métodos de diagnóstico mais eficazes temos:

Diagnóstico por imagem

A ultrassonografia é um exame de imagem que contribui muito no momento triagem, aspectos alterados de arquitetura e imagem renais levantam uma hipótese do paciente ter suas funções renais comprometidas. A renomegalia em gatos pode estar intimamente ligada a disfunções renais e a diminuição do tamanho dos rins em cães fatalmente será associada a uma doença renal crônica.

Exames Bioquímicos

Uréia

A uréia constitui o principal metabolito nitrogenado derivado da degradação de proteínas pelo organismo, 90% deste é excretado pelos rins e o restante eliminado pelo trato gastrintestinal e pele. Não é um biomarcador específico para doença renal, pode estar aumentado devido a outros fatores que não seja a dificuldade de eliminação pelos rins, porém aliado com a creatinina sanguínea aumentada tem sido muito usado para detectar a doença renal em animais, apesar de ser um índice pouco sensível e tardio. Quando elevada no sangue dá indícios de dificuldade de excreção renal, levando a um possível diagnóstico de doença renal, porém o paciente já sintomático e possivelmente já possui lesões renais severas.

Creatinina

A dosagem de creatinina no sangue é o método mais usado para avaliação da função renal, porém apresenta limitações, como o fato da dosagem ser influenciada pela função e composição muscular, dieta, estado de saúde e exercícios realizados pelo animal. Valores reduzidos serão observados na distrofia muscular, paralisia, anemia e leucemia, enquanto valores aumentados ocorrerão na glomerulonefrite (lesão renal que se inicia na parte funcional dos rins, os glomérulos), insuficiência cardíaca congestiva, necrose tubular aguda, choque, doença renal policística, desidratação e hipertireoidismo.

A baixa sensibilidade na detecção de graus menos avançados de perda da função renal também é um fator muito limitante. Somente após a perda de aproximadamente 70 a 75% da função renal é que será observado o aumento da creatinina no sangue. 

Hemograma

Através do exame de hemograma é possível avaliar a presença de anemia e os aspectos gerais dessa anemia, como por exemplo, o tamanho e coloração das hemácias. Animais com doença renal crônica tendem apresentar anemia devido à deficiência de eritropoeina.

A eritropoetina é um hormônio produzido pelos rins, ela é quem estimula a produção e o amadurecimento das células vermelhas do nosso sangue, as hemácias, e também faz com que haja a incorporação do ferro dentro delas. Quando a anemia é por conseqüência da doença renal teremos falta do estimulo para a produção das hemácias, por falta de eritropoetina.

A menor ingestão de ferro em razão das dietas restritas em carnes e verduras, os sangramentos digestivos e a menor absorção de ferro, todos esses fatos devido a própria condição de uremia desencadeada pela doença renal, faz com que a anemia se acentue ainda mais.

Exame de urina

O exame de urina é uma ferramenta importante que nos permite avaliar e qualificar a doença renal, através dele podemos mensurar a densidade urinária, a presença de proteínas, principalmente a albumina na urina e a relação proteína creatinina urinária, este ultimo nos dá uma previsão quando ainda não há evidencias clínicas da doença, sendo pouco mais eficaz quanto a precocidade. A partir da urina conseguimos marcadores que auxiliam perfeitamente no diagnóstico da doença renal além de mostrar a graduação.

SDMA

Um novo teste, antes realizado nos Estados Unidos, chega ao Brasil. Ele deverá contribuir para o diagnóstico precoce da doença. Trata-se do dimetilarginina simétrica (SDMA), um biomarcador sanguíneo que avalia o real estado dos rins e acusa o problema em sua fase inicial. 

O tradicional teste de creatinina detecta alterações quando, aproximadamente, 75% da função renal já foram perdidas. O novo exame promete flagrar a doença quando existe uma perda de cerca de 40% da função renal, podendo chegar à marca de apenas 25% de lesão renal em alguns indivíduos. Podemos ter um diagnóstico precoce de até dois anos de antecedência ao compararmos com os métodos mais tradicionais. 

Já sabemos que a doença renal é uma doença progressiva, logo quanto antes o diagnóstico for realizado mais eficaz será o tratamento e melhores serão os resultados. Com teste do SDMA e a precocidade no diagnóstico da doença renal, poderemos elevar em muitos meses ou mesmo anos a expectativa de vida dos pets, sem contar os ganhos à qualidade de vida.

Tratamento da doença renal

Os protocolos médicos gerais para o manejo dos animais doentes renais são realizados de forma individual de acordo com o estágio da doença e os sinais apresentados por cada paciente.

Manejo dietético

A terapia dietética consiste em diminuir a sobrecarga renal causada muitas das vezes por uma alimentação fora do padrão. Dietas formuladas para pacientes renais tem por base limitar ou restringir a quantidade de proteínas, fósforo, sódio e aumentar a disponibilidade de vitaminas B, fibras solúveis, suplementação com ácidos graxos poliinsaturados como Omega 3 e adição de antioxidantes.

Uma nutrição adequada irá favorecer o estado metabólico na doença, otimizando a resposta do animal aos tratamentos, impedindo a imunossupressão, a perda de massa magra e auxiliando na reparação tecidual.

A mudança na dieta nunca deve ser feita sem ajuda de um médico veterinário, de preferência especialista na área. Deve-se procurar causar o mínimo possível de estresse para o paciente durante a troca da dieta, evitando a repulsa pelo alimento, lembrando que pacientes doentes renais tendem a desenvolver facilmente repulsa por alimentos devido a todos as alterações gastrointestinais ocorridas.

Controle da pressão arterial

É sabido que o risco de hipertensão arterial para pacientes em estágios avançados da doença renal é alto. Casos de doença renal crônica aliados a pressão arterial aumentada estão mais propensos a desenvolver crises urêmicas e evoluírem para o óbito.

Pacientes com sinais clínicos de pressão arterial elevada devem ter sua pressão controlada imediatamente para evitar conseqüências letais, nesses casos a terapia e realizada em ambiente hospitalar sempre monitorados por médicos veterinários.

Fluidoterapia

A hidratação dos pacientes é fundamental, uma forma de diminuir ou impedir sinais clínicos. A Fluidoterapia consiste em manter o paciente no soro através de acesso venoso e muitas vezes por via subcutânea, sendo que esta última opção pode ser realizada pelo proprietário até mesmo em casa desde que sempre orientada pelo médico veterinário.   

Diálise Peritoneal

A Diálise é adotada no intuito de restabelecer o equilíbrio hidroeletrolitico do paciente ao eliminar substâncias tóxicas acumuladas no sangue devido a deficiência da excreção renal. Quando se reduz os níveis dessas toxinas observa-se uma melhora significativa na condição geral do paciente, evitando-se danos maiores a outros sistemas e com isso ganhando mais tempo até que se tenha resultado da terapia instituída.

O princípio da hemodiálise está ligado na filtração e depuração de solutos e através de membranas semipermeáveis. O procedimento é realizado a partir de um cateter venoso central ligado a um circuito extracorporal, fazendo com que o sangue passe pelos filtros, retendo solutos indesejáveis e também água quando necessário.

A diálise é um método um pouco mais simples e possível de ser realizado por um corpo clínico com apenas a acessória de um especialista, utiliza  a membrana peritoneal do próprio paciente como filtro semipermeável e tem por objetivo o mesmo que a hemodiálise.

Conclusão

A doença renal é capaz de roubar de nós de forma abrupta e precoce anos, meses, tempo de vida em abundância com nossos pets. Uma doença silenciosa que precisa ser descoberta com antecedência para então ser contida e tratada. Quanto mais cedo for diagnosticada, maiores as chances de sermos bem sucedidos.

A equipe de médicos veterinários da Clínica Mato Grosso está disposta a lhe dar todo o suporte necessário, esclarecer suas dúvidas e contribuir para maior longevidade do seu Pet. Conte conosco para um diagnóstico precoce, prevenção e se necessário for, a terapêutica clínica específica para evitarmos qualquer progressão da doença renal.

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